terça-feira, 19 de junho de 2012

Murray Butler sobre o fascismo

«...quer no fascismo quer no comunismo, Butler vê um ataque à democracia individualista. No entanto, ao atacar efectivamente a democracia individualista, o fascismo procede de maneira substancialmente oposta ao bolchevismo. Enquanto este proclama a negação da civilização moderna, o fascismo afirma-a, pretende reorganizá-la e pô-la em condições de se defender contra os ataques do bolchevismo.
Se quisermos falar objectivamente, é claro que o fascismo, ainda que sendo antiliberal e anti-socialista, é, sobretudo antibolchevista e, se repele alguns dos conceitos inerentes ao liberalismo e ao socialismo, também é verdade que aceita algumas concepções dessas doutrinas, reconhecendo-as como inerentes à civilização moderna, europeia e ocidental.
Assim sendo, o fascismo aceita do liberalismo o princípio da vontade geral como fundamento da soberania do Estado e do socialismo, incorpora o princípio do trabalho, na medida em que faz deste o título de cidadania do indivíduo.
Todavia, a concepção que o fascismo tem desses dois princípios é totalmente diversa da praticada pelo liberalismo e pelo socialismo. Para o fascismo, a vontade geral não é expressa por cada cidadão, é identificada com a tradição popular e, como irei explicar a seguir, entende que a sua expressão é veiculada pelos melhores cidadãos. Não somente considera o trabalho uma manifestação das melhores faculdades individuais, como se propõe que esse trabalho redunde em benefício do bem-estar individual e, simultaneamente, da nação e do povo.
De tudo o que foi dito, pode deduzir-se que o resultado final desejado pelo fascismo consiste numa moral cívica baseada no sentimento de colaboração de todos os cidadãos dentro do quadro do Estado e no sentido de subordinação dos objectivos terrenos individuais ao bem-estar da nação organizada no enquadramento do seu Estado Nacional.»


In "A verdade sobre o fascismo"- Murray Buttler